quinta-feira, 2 de abril de 2009

Que do improvável nascem grandes teorias

Bianca nunca foi de grandes porres, mas teve lá seus tropeços. Por vezes teve desilusões amorosas, um stress absurdo precisando ser exorcizado, uma amiga que mora fora e vem só de vez em quando e ai rola aquele happy para por todos os assuntos em dia, enfim coisas da vida que fazem com que a pessoa passe um pouquinho da conta na bebida. Normal! Uma das situações mais bizarras me foi contada um dia desses em uma daquelas tardes impagáveis em que passamos horas tomando café e falando de coisa nenhuma e de tudo ao mesmo tempo:
Bianca tem uma grande amiga que mora no interior e nesse fatídico dia um happy, para recebê-la, com os amigos em comum foi arquitetado e levado a cabo no bar preferido da turma. As duas não se viam há muito tempo e os assuntos eram muitos e os mais diversos. Tudo regado ao mais maravilhoso chopp de São Paulo. Chopp não é a bebida preferida de Bianca, mas ainda assim ela estava feliz por estar com a amiga querida e foi tomando um atrás do outro.Lá pelas tantas a galera resolveu dar uma esticada para dançar.Bianca (que ainda não mencionei, mas era casada na ocasião) achou mais prudente ir para casa, embora seu estado já não permitisse decisões de grande monta.O ato mais irresponsável da noite foi ter ido dirigindo,mas como ao que parece o anjo da guarda dos bêbados não dorme nunca, ela chegou sã e salva, pelo menos até a garagem do prédio onde mora.Mas foi só até ai que tudo correu razoavelmente bem, porque depois a lambança foi decretada!Bianca não conseguia estacionar o carro.Foi salva pelo segurança da garagem (ai que vergonha) que teve que fazê-lo para o bem dos proprietários inocentes dos demais veículos.Bianca não conseguia achar a chave de casa, então achou muito normal derrubar todo o conteúdo da sua bolsa sobre a mesa do porteiro (ai que vergonha de novo) e no meio de toda aquela bugiganga achar a chave e subir com ela, e apenas com ela para casa.Abrir a porta foi uma aventura que durou muitos minutos.Entrar e ver o marido no sofá com aquela cara de “isso são horas?” foi um detalhe que precisou ser ignorado dada a total falta de condições de dar explicações.A solução foi seguir direto para o banheiro e apelar para um banho frio.Mas precisava ser de roupa e tudo?Era inverno... Estamos falando de calça, casaco, cachecol, botas!Bianca demorou horas para conseguir tirar tudo isso depois de molhado. Ao sair do banheiro o marido já dormia, ou pelo menos fingia. Menos mal!Dormir era mesmo o melhor a fazer. No dia seguinte Bianca não conseguia nem abrir os olhos sem achar que a bateria da Beija Flor havia resolvido ensaiar dentro da sua cabeça. Ressaca das grandes. Mas nada que um bom café forte e um banho não pudessem amenizar. Mas como nada nessa vida é assim tão simples Bianca não conseguia entender porque suas roupas e aquela bota caríssima que ela tinha usado pela primeira vez na noite passada estavam encharcadas dentro do box do banheiro.O pior veio logo em seguida, Bianca não conseguia achar sua bolsa!Meu Deus, cadê a minha bolsa?Era só nisso que Bianca pensava. Deve estar no carro!É isso!Carro?Eu não me lembro de ter vindo de carro!Bianca começou a entrar em pânico com a amnésia total que havia tomado conta do seu ser. Resolveu não continuar com essa agonia por mais tempo e descer até a garagem para ver se achava a bolsa. Corajosamente entrou no elevador. Ao chegar ao térreo um porteiro todo sem jeito e com sua bolsa em punho resolve dar o bom dia mais amarelo que Bianca já viu. Ao chegar na garagem e ver o carro tão bem estacionado, recebe um bom dia não menos amarelo de um segurança com a chave do seu carro na mão.Bianca resolveu não falar nada, resignada entrou no carro e foi trabalhar.Ao longo do dia foi se lembrando de todas as barbaridades cometidas na noite anterior.Para seu próprio bem achou melhor continuar fingindo que não se lembrava de nada e desenvolveu uma teoria que defende com afinco:”Se não me lembro é porque não fiz!”.
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