domingo, 3 de maio de 2009

Que nós mulheres somos estranhas, às vezes

Quando se é criança é bem mais fácil conseguir um colinho. É só chorar, fazer beicinho e pronto!Tem sempre a mamãe, o papai ou um tio de plantão. Consegue-se o afago que nos acaricia, mima,protege.

Na vida adulta o afago ganha conotações sensuais e vai perdendo a função básica do consolo. Isso é bom e ruim, se é que algo pode ser bom e ruim ao mesmo tempo.

A questão é que há dias em que um carinho descompromissado, aquele cafuné no cabelo, aquele abraço carinhoso vindo de um amigo, de um irmão ou de qualquer pessoa querida, curaria uma dor que nasce não sei onde, vem não sei como e dói não sei porquê (parafraseando o poeta), mas que dói e insiste em doer.

Difícil para alguns, eu me incluo nisso, é admitir a necessidade de receber esse gesto.

Observo que as mulheres ‘meiguinhas’, aquelas que assumem que são frágeis e até gostam disso, se beneficiam com a disponibilidade, principalmente dos homens, em satisfazer suas mínimas necessidades sem muitos questionamentos porque senão a ‘meiguinha’ se debulha em lágrimas. Acho até que essas criaturas são muito mais espertas do que parecem, porque pelo menos atenção elas conseguem sempre!Claro que não estou concordando com esse tipo de comportamento, pelo amor dos deuses!E nem estou dizendo que estou no ápice da carência, precisando de uma migalha dormida do seu pão e que raspas e restos me interessam (parafraseando outro poeta). O que estou querendo dizer é que nem sempre quando se está carente se está com falta de sexo, ou se achando um lixo com a auto-estima no dedão do pé, a caça de um lexotan®. Às vezes essa carência é pura e simplesmente a falta desse afago que aquece a alma.

Será que me fiz entender?

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