segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Que tudo na vida é possível!

Na última sexta-feira de julho deste ano de 2009, um dia bem frio, encontrei-me com Emilia na fila do cinema. Emília, minha amiga tão querida desde os idos de minha infância. Há quanto tempo não nos vemos?Desde aquele encontro comemorativo dos 20 anos de formatura da nossa turma do colégio.

Emilia, por sinal, foi uma das últimas a ser localizada pelos organizadores voluntários do encontro. Seus pais já não moravam no mesmo bairro, não havia um telefone sequer para tentarem o contato. Mas a maravilhosa evolução tecnológica e os sites de relacionamento tornaram possível o primeiro contato. Emília havia se casado com Jorginho e ido morar no Rio de Janeiro. O que?Emilia e Jorginho? Casados? Como assim? Pelo menos achamos o Jorginho também, afinal ninguém tinha o contato dele no Rio de Janeiro. Mas voltemos ao caso: Eles sempre se odiaram e se alfinetavam o tempo todo e por qualquer motivo!Se um gostava de azul essa passava a ser a cor mais detestada do outro, ela torcia pelo Corinthians e ele pelo Palmeiras e a cada jogo (que assistiam sempre juntos) fosse qual fosse o resultado a troca de farpas era garantida. A coisa tomou tal proporção que convidar os dois para um churrasco ou uma saída da turma virou motivo de reunião prévia para avaliar os prós e contras. No dia do nosso baile de formatura tratamos de cuidar para que as mesas ocupadas pelas famílias dos dois ficassem em lados opostos do salão.

Claro que o assunto principal do nosso encontro de formandos era o fato de os dois estarem casados. A pergunta que não queria calar era: Como isso tinha acontecido?

O fato é que Emília, ao terminar o colegial, entrou para a faculdade de medicina e depois de formada foi fazer especialização no Canadá. Jorginho formou-se engenheiro, como o pai, e foi trabalhar em uma construtora no Rio de Janeiro. Emilia voltou para o Brasil, foi trabalhar num grande hospital e lá conheceu e casou-se com André, um famoso neurocirurgião. Enquanto isso Jorginho conhecia Camila, uma linda arquiteta de olhos azuis, e casava-se com ela. Foram todos felizes para sempre e o sempre, nesse caso, foram exatos 10 anos.

Então Emilia (cardiologista) e André (neurocirurgião) descobriram que dedicavam a maior parte de seu tempo aos seus respectivos pacientes e que o pouco tempo que sobrava era utilizado discutindo medicina.Relação desgastada + falta de tempo = Divórcio.E assim foi! E lá no Rio de Janeiro Jorginho (engenheiro) e Camila (arquiteta) descobriam que, além dos projetos, eles não tinham mais nada em comum. Relação desgastada + falta de interesse = Divórcio. E assim foi!

Isso tudo aconteceu ha menos de duas semanas do carnaval daquele ano. Emilia, que precisava espairecer e alegrar um pouco a vida depois da separação e da decisão de pedir demissão do emprego no hospital, resolveu passar o carnaval em Salvador. Jorginho, que havia comprado um pacote turístico para passar o carnaval em Salvador, achou que devia manter os planos uma vez que precisava espairecer e alegrar um pouco a vida depois da separação. Emília e Jorginho se encontraram no segundo dia de folia. Reconheceram-se imediatamente e, etilicamente alterados, deram boas risadas ao relembrarem do “ódio” que nutriram, um pelo outro, durante toda a adolescência. As inúmeras situações bizarras que viveram juntos, por tantos anos seguidos. Juntos?Epa! Bom, daí a concluírem que aquilo não era bem ódio e que apenas o orgulho de ambos não permitiu que eles tivessem reconhecido o fato foi um pulo. Passaram o carnaval juntos, voltaram juntos e assim permaneceram até concluírem que haviam nascido um pro outro e resolverem se casar.

Mas o que Emília faz aqui hoje, e sem o Jorginho? Estão em férias e Jorginho odeia comédias românticas está na fila para ver um filme de ficção. Como nos velhos tempos estão juntos, porém separados!

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