domingo, 26 de abril de 2009

Que todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite

Camila se preparava para sair com Júlio, um novo amigo feito pela coincidência e pelo acaso das coisas da vida. Feito também pela ousadia de Julio que usou de meios, digamos, pouco ortodoxos para fazer o primeiro contato.

Enquanto Camila fazia a difícil escolha do que vestir ficava pensando em como ele estaria vestido e lembrava-se do seu sorriso largo e fácil.Optou por algo básico que no final se mostrou bastante eficaz pela variedade que a noite ofereceu.

Júlio estava atrasado, já era a segunda vez que isso acontecia e Camila achava isso muito engraçado, pois tinha consciência que ele estaria irritado por isso. Bobagem... Naquela noite eles teriam todo o tempo do mundo. Julio chega, trajando uma roupa discreta e de bom gosto... Ele é do tipo que se preocupa com os pequenos detalhes, coisas pequenas como a cor das meias que estão de acordo com os sapatos. Camila (que também é atenta a detalhes) gosta do que vê e diverte-se ao saber o motivo do pequeno atraso. Júlio conta que houve um contra-tempo ao abastecer o carro e arranca risos de Camila com sua preocupação com seus sapatos, caso os mesmos fossem encharcados de gasolina.

Seguiram rumo a um barzinho bastante charmoso em Moema. A conversa corre fácil, a companhia de Júlio é uma agradável surpresa para Camila. Os olhares se intensificam e os beijos inevitavelmente se tornam mais longos e menos sutis, os dois, enfim, entregam-se a uma exploração maior.

Julio tinha um aniversário para ir e convidou Camila à acompanhá-lo.Camila se sentiu constrangida em ser inserida no círculo de amizade de Julio tão precocemente.Mas Julio comentou que tratava-se de uma pessoa que não conhecia muito pessoalmente, mas que era importante que ele fosse.Mas tranqüila, e animada com a perspectiva de dançarem juntos, Camila embarcou no que seria a grande aventura da noite.

O lugar ficava no centro de São Paulo, local de difícil acesso para dois perdidos como ela e Júlio... Ela ficou pensando em seu GPS no porta-luvas do seu carro e desejou que ele se materializasse ali naquele momento, mas o carro era o de Júlio e nada poderia salvá-los dos caminhos pouco lúdicos que tiveram que enfrentar. Mas Júlio é daqueles homens que param para pedir informação (Acredita nisso?), e três taxistas depois lá estavam eles estacionados na porta do tal local.

Cumprimentaram a aniversariante e depois de uma breve conversa subiram para a pista de dança levando duas generosas doses de Jack Daniel’s .O lugar parecia mais com um forno gigante e lotado do que com uma pista de dança.Desistiram.Tentaram de novo, agora com a pista já mais vazia e com a possibilidade de ficarem mais próximos a mesa de som onde estava mais fresco.

A dança foi marcada pela exploração de seus corpos e de suas bocas. O ritmo dado pela curiosidade e necessidade de aproximação que movia ambos. Um quase culto de um ao corpo do outro. Talvez tenha sido essa a razão de ganharem um DVD do DJ que os rotulou pela primeira vez de “casal”. Camila achou graça no fato.

Era hora de uma pausa para um cigarro (ambos fumam, infelizmente) e como tudo parecia irreal naquela noite ,os isqueiros não acendiam... Estupefatos, constataram que não havia oxigênio suficiente para se dar a combustão!Bizarro??Lógico!Dessa forma explicava-se a falta de ar que ambos sentiram durante um dos longos beijos...

Exaustos resolveram tomar o rumo de casa e Camila se lembrou que teriam que enfrentar novamente os desacertos do caminho e agora a madrugada já ia longe. Camila é meio encanada com essa coisa de segurança e se sentiu muito assustada ao se deparar com os meandros assustadoramente sombrios da madrugada na região central de SP. Julio oferece sua mão como consolo e Camila, agradecida, a aperta a cada momento de maior tensão.

Finalmente, se acham no caminho certo e seguem mais relaxados. Mas haveria ainda surpresas pelo caminho. Uma Blitz policial daquelas com bafômetro e tudo ainda estava por vir. Ao se depararem com a cena os dois se lembraram que Júlio ainda tinha em seu corpo os efeitos da generosa dose de Jack. Pânico!Camila procura relaxar o corpo para que o policial, que se aproximava cada vez mais ,não reparasse em sua tensão. Julio, mais controlado e dono de si (a frieza masculina nessas horas é muito bem vinda), abre o vidro do carro. O policial faz sinal para o carro da frente passar e a expectativa se passariam ou não durou segundos intermináveis.Passaram!Alívio geral. Agora parece que finalmente vão poder seguir o caminho para casa sem mais sobressaltos. Para comemorar resolvem que um café no mesmo local onde se conheceram seria muito bem vindo. Resolvem isso assim, juntos de comum acordo, falando-se com os olhos, como se a vida inteira tivesse sido assim. Mistérios de uma relação tão nova. Camila pensa nisso e sorri, sem procurar muita explicação. No caminho para o café, já quase chegando, a segunda surpresa do percurso: Por mais improvável que pareça em uma grande e conhecida avenida da zona sul, passa uma comitiva de cavaleiros montados em seus valentes ginetes com os cascos ecoando no asfalto!!!Mais surreal que isso é impossível e só restam os risos para mais inusitada cena!

O Café foi tomado quase às quatro horas da manhã com a benção do garçom que ajudou na aproximação dos dois e que se sente o verdadeiro cupido da história. Despedem-se na portaria do prédio de Camila com os intermináveis e provocantes beijos. A noite chegava ao fim. E não podia ter sido melhor, pois guardava em si a possibilidade da próxima vez... Camila dorme embalada por um sonho... (Mas isso já é uma outra história!).

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