Emilia, por sinal, foi uma das últimas a ser localizada pelos organizadores voluntários do encontro. Seus pais já não moravam no mesmo bairro, não havia um telefone sequer para tentarem o contato. Mas a maravilhosa evolução tecnológica e os sites de relacionamento tornaram possível o primeiro contato. Emília havia se casado com Jorginho e ido morar no Rio de Janeiro. O que?Emilia e Jorginho? Casados? Como assim? Pelo menos achamos o Jorginho também, afinal ninguém tinha o contato dele no Rio de Janeiro. Mas voltemos ao caso: Eles sempre se odiaram e se alfinetavam o tempo todo e por qualquer motivo!Se um gostava de azul essa passava a ser a cor mais detestada do outro, ela torcia pelo Corinthians e ele pelo Palmeiras e a cada jogo (que assistiam sempre juntos) fosse qual fosse o resultado a troca de farpas era garantida. A coisa tomou tal proporção que convidar os dois para um churrasco ou uma saída da turma virou motivo de reunião prévia para avaliar os prós e contras. No dia do nosso baile de formatura tratamos de cuidar para que as mesas ocupadas pelas famílias dos dois ficassem em lados opostos do salão.
Claro que o assunto principal do nosso encontro de formandos era o fato de os dois estarem casados. A pergunta que não queria calar era: Como isso tinha acontecido?
O fato é que Emília, ao terminar o colegial, entrou para a faculdade de medicina e depois de formada foi fazer especialização no Canadá. Jorginho formou-se engenheiro, como o pai, e foi trabalhar em uma construtora no Rio de Janeiro. Emilia voltou para o Brasil, foi trabalhar num grande hospital e lá conheceu e casou-se com André, um famoso neurocirurgião. Enquanto isso Jorginho conhecia Camila, uma linda arquiteta de olhos azuis, e casava-se com ela. Foram todos felizes para sempre e o sempre, nesse caso, foram exatos 10 anos.
Então Emilia (cardiologista) e André (neurocirurgião) descobriram que dedicavam a maior parte de seu tempo aos seus respectivos pacientes e que o pouco tempo que sobrava era utilizado discutindo medicina.Relação desgastada + falta de tempo = Divórcio.E assim foi! E lá no Rio de Janeiro Jorginho (engenheiro) e Camila (arquiteta) descobriam que, além dos projetos, eles não tinham mais nada em comum. Relação desgastada + falta de interesse = Divórcio. E assim foi!
Isso tudo aconteceu ha menos de duas semanas do carnaval daquele ano. Emilia, que precisava espairecer e alegrar um pouco a vida depois da separação e da decisão de pedir demissão do emprego no hospital, resolveu passar o carnaval em Salvador. Jorginho, que havia comprado um pacote turístico para passar o carnaval em Salvador, achou que devia manter os planos uma vez que precisava espairecer e alegrar um pouco a vida depois da separação. Emília e Jorginho se encontraram no segundo dia de folia. Reconheceram-se imediatamente e, etilicamente alterados, deram boas risadas ao relembrarem do “ódio” que nutriram, um pelo outro, durante toda a adolescência. As inúmeras situações bizarras que viveram juntos, por tantos anos seguidos. Juntos?Epa! Bom, daí a concluírem que aquilo não era bem ódio e que apenas o orgulho de ambos não permitiu que eles tivessem reconhecido o fato foi um pulo. Passaram o carnaval juntos, voltaram juntos e assim permaneceram até concluírem que haviam nascido um pro outro e resolverem se casar.
Mas o que Emília faz aqui hoje, e sem o Jorginho? Estão em férias e Jorginho odeia comédias românticas está na fila para ver um filme de ficção. Como nos velhos tempos estão juntos, porém separados!








